Dia nove de Dezembro de 2011, o dia em que a democracia levou mais uma machadada, quiçá, a derradeira.Num conselho europeu(?!), onde um directório franco -alemão, mais uma vez fez vingar os seus interesses, a subversão dos valores da União Europeia foi por demais evidente.
Da unanimidade, nunca mais se irá falar, esse empecilho que tantas noites mal dormidas deu aos "estouvados" (sempre gostei desta expressão) lideres europeus.
São 27 estados membros, todos eles supostamente com os mesmos direitos, e porque não dizê-lo, com as mesmas obrigações.
Mas na prática, já se sabe como estas coisas funcionam, a realidade levou-nos para um cenário já tantas vezes visto e que deveria obrigar os responsáveis (?) políticos europeus a tomarem as melhores opções politicas em prol de todos e não as melhores opções para uma minoria de estados membros.
Consequentemente e como é evidente, nem sempre o que é melhor para uns, significa que seja o melhor para todos e uma boa negociação significa que todas as partes envolvidas saem beneficiadas.
Assim, temos aquilo que se antevia, e se temia, uma Europa a várias velocidades, em plena desintegração e que já deixa de fora, imagine-se, um país como a Grã-Bretanha, por sinal membro fundador da outrora Europa unida.
Na génese destes últimos acontecimentos está, pois claro, a divergência na visão económico-financeira para a Europa. De um lado temos a «paixão pela austeridade» (expressão feliz de J.A.Seguro) defendida pela Alemanha e França (não esquecer que estes dois "exemplos", foram os primeiros a violar o PEC em 2004 e daí para a frente sucessivamente), do outro lado da barricada, temos os indefectíveis de Keynes, através de um estado intervencionista, com politicas fiscais e monetárias com vista ao combate à recessão, obviamente defendido pelo grupo de países intervencionados ou em pré-intervenção.
Nos primórdios da crise, em 2008, as directrizes de Bruxelas foram no sentido de injectar dinheiro na economia, com efeitos de mitigação da então falta de liquidez financeira. Com isto, muitos países sem recursos suficientes, foram obrigados a emitir divida. Os mais fortes, foram capaz de injectar na economia os recursos necessários , com ou sem empréstimos, e rapidamente voltaram a ter níveis de crescimento positivos. Já outros, menos afortunados financeiramente, foram aos mercados, endividando-se e em pouco mais de 3 anos, como que duplicaram as dividas soberanas (vide o caso de Portugal que passou de uma divida publica de pouco mais de 80 mil milhões para mais de 160 mil milhões).
Esta é a Europa que temos hoje, sem rumo, sem estratégia a longo prazo, sem causas estruturantes e sem respeito pelos valores que regeram a construção da União Europeia.
Como diz Miguel Sousa Tavares: « A Europa foi talvez a melhor utopia política que eu conheci.»
Da pujante e exemplar Europa, pouco ou nada restará, se continuarmos a insistir no erro que é esta gritante falta de solidariedade e politica de castigo aos mais fracos.
A Alemanha, por duas vezes nos últimos 100 anos, tentou pela via das armas o domínio na Europa, o prevalecer da sua suposta supra doutrina. Hoje, com o paradigma da guerra convencional completamente obsoleto, temos a guerra electrónica, a guerra no ciberespaço, a guerra nos mercados financeiros e nos gabinetes desta malfadada classe politica.
*"Unida na diversidade", no latim.
PS: " In Vielfalt geeint", em alemão… just in case :)
Sabem quem sou,