terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Inflamação de consciência


Antes de mais, permitam-me publicamente agradecer o convite que me foi endereçado para fazer parte do selecto grupo de autores que alimenta este “canto esquecido da blogosfera", confessando no entanto desde já (à semelhança do prólogo redigido pelo criador do blog ao referir-se à existência possivelmente efémera do espaço) que esta minha participação não augura algo de muito promissor ou duradouro...

Analisando os posts já colocados, notam-se à partida nesta “tertúlia de amigos” dois “especialistas”: um em desporto e outro em política.
A minha participação poderá eventualmente também abordar esses temas (definitivamente não com a mesma mestria), porém, neste 1º post evocarei para mim uma matéria que me apraz bastante observar – a da comunicação.


Congratulo o facto de haver um espaço desta natureza, numa altura em que é cada vez mais fácil marcarmos a nossa atitude em relação aos assuntos com um simples “Like”... como se isso bastasse... e sentimos-nos completos.
Da mesma forma, colocam-se vídeos (de música, principalmente) e fazemos share de posts/notícias; deixando que as imagens, sons ou palavras de outros exprimam por nós o que não conseguimos dizer.

Nos últimos meses, abro o meu facebook e tristemente presencio uma esmagadora moda: colocação de imagens de fundo com frases aparentemente de uma profundidade visceral que... no entanto... são apenas mais um cliché.
Apesar disso, cada uma destas imagens ostenta orgulhosamente números na ordem das suas 3.256 partilhas e dos seus 70.584 gostos.
(Creio que alguns por vezes pensam: - “Bom... Se esta imagem teve tantas partilhas e gostos, vou também fazer like/share, mesmo que não entenda a essência da coisa”.)

São este tipo de comportamentos que nos tornam cada mais incapazes de expressar o que realmente sentimos ou pensamos. E isso apenas prova que muitos de nós não se conhece realmente a si próprio.
Deste modo, nada como o exercício da introspecção, da escrita e da criação!...

Sem esta capacidade de nos conhecermos e pensarmos por nós próprios, estamos entregues ao terrível pesadelo do agenda-setting - a delineação, por parte dos mass media, dos tópicos que nos devemos concentrar, em detrimento de outros temas que alguém pretende que descuremos ou que são realmente importantes.

Se antigamente era difícil direccionar as massas para determinado pensamento, hoje tudo é mais rápido, fácil, inteligente e dissimulado; ao ponto de sermos completamente bombardeados de todos os lados. Ora, tal conjuntura de factores retira-nos o livre arbítrio do pensamento que pôde ter sido outrora livre e espontâneo.

Olhando para o passado, as ferramentas eram claríssimas de detectar:
  • a pureza dos escritos religiosos onde se encontra toda a verdade sobre o Mundo;
  • os repetitivos discursos dos líderes que monopolizavam o tempo de antena das estações (tal como as comunicações do “1984” de George Orwell);
  • e quando nada mais funcionava... Vinham as balas comunicacionais - panfletos lançados no ar por aviões inimigos que visavam destabilizar o pensamento de uma sociedade.

Não se iludam, estas continuam a existir... Têm é outras formas.

O boom tecnológico e consequente democratização do acesso ao latest gadgets, permitiu uma evolução estonteante dos meios de comunicação, sendo que a quantidade e forma da informação recebida, ultrapassa claramente o entendimento finito do ser humano. No fundo, tornámos-nos mais sujeitos aos ataques.


Queiramos ou não, a informação e a desinformação sempre estiveram presentes nas nossas vidas. (“Wag the dog” ilustra muito bem e de forma comicamente trágica como tudo se manipula.)

Assim, mais do que escolher o que lemos, vemos e ouvimos, temos sim que procurar no fundo de nós o que é a verdade! Mesmo que nos sintamos um autêntico Jerry Fletcher da “Teoria da Conspiração”.




No fundo, lanço o desafio... Perscrutam dentro de vós próprios.

Não deixem que as notícias controlem o vosso pensamento utilizando o medo (da crise, por exemplo), o entretenimento ou outras ardilosas formas de controlo.

Saibamos escolher os assuntos em que pensamos e vivamos livres!

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