Sendo Portugal um dos países com as fronteiras mais antigas do continente europeu, e tendo um historial de conflitos com os nossos vizinhos, nestes últimos tempos muitas coisas, algumas boas, outras nem por isso, têm-nos aproximado.
Para além desta Jangada de Pedra, que partilhamos, outras similitudes nos tornam gémeos separados à nascença.
Desde muito cedo tivemos a arte e o engenho para aventurarmo-nos, em epopeias diferentes, por mares nunca dantes navegados. O Tratado de Tordesilhas (1494), onde uma disputa familiar, um aventureiro mercenário e um infanta rebelde conseguiram dividir o mundo (Stephen R. Brown). Ambos tiveram grandes períodos imperialistas (Império Colonial Espanhol 1492 - 1898 / Império Português 1415 - 2002).
As línguas estão no Top Ten das mais faladas no mundo ( Espanhol com 450 Milhões - Espanha e América Latina; Português com 220 Milhões - Portugal, Brasil e ex-colónias africanas). É todo um património imaterial que deriva da língua: Cervantes deu-lhes D. Quixote, Os Lusíadas são a marca de Luis de Camões.
Com as devidas diferenças (85% da península é território espanhol), também ao nível da distribuição geográfica, somos países semelhantes. Nós temos os grandes centros urbanos de Lisboa (sul) e Porto (norte), Espanha tem Madrid e Barcelona. Os rios Minho, Douro, Tejo e Guadiana, rasgam as paisagens ibéricas e são partilhados pelos dois países. Não falarei das comunidades autónomas, algo que realmente nos diferencia, e a génese deste texto não está nas diferenças, mas nos elos que a historia conjunta ergueu. Posto isto, algo que identifica bem, portugueses e espanhóis, são as suas paixões, como povos latinos que são. A tourada é uma Instituição em Espanha, em Portugal é uma arte (da elite, é certo, mas não deixa de ser uma arte); os espanhóis tem o Real Madrid CF e o FC Barcelona, nós, temos os três grandes (SL Benfica, Sporting CP, FC Porto) ; se por cá se canta o Fado, por lá o Flamenco é rei e senhor na arte de bem cantar e dançar. Duas ditaduras deixaram marcas profundas em ambas as sociedades, uma mais violenta e opressora ( Franco 1939/75), e uma outra anti-liberal, da doutrina do "orgulhosamente sós" e castradora da democracia e do livre arbítrio (Salazar 1932/68).
A espuma do tempo diz-nos que a Espanha está no seu elemento, quando está em guerra com o exterior, com golpes de estado, revoltas militares, rebeliões…
A este grande país (9ª económica mundial), calhou o "desprivilégio" de ter sido a primeira nação moderna a declarar oficialmente a bancarrota!
Aqui fica a lista dos colapsos económicos do Reino de España:
Sec. XVI
1557 - Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
1575-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
1597-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
Sec. XVII
1607-Renegociação da dívida
1647-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
1652-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
1662-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
1666-Suspensão dos pagamentos dos títulos do tesouro.
Sec. XVIII
1799-Suspensão do pagamento de juros.
Sec. XIX
1815-20-Défice crónico de fundos.
1867-Depreciação da dívida. Falência de bancos.
Sec. XX
1939-Bancarrota e insolvência.
Nos últimos 200 anos houve 70 bancarrotas no planeta.
Na Europa há um clube da bancarrota ,com vários repetentes: Espanha faliu 12 vezes, Portugal 7 vezes, França 4 vezes, Alemanha 2 vezes: consequência das 2 Grandes Guerras.
Hoje em dia, na era da económica global, a Espanha é considerada Too big to fall, ou seja, é demasiado grande para cair, e mais dramático ainda, seria o seu efeito de contagem.Na Europa há um clube da bancarrota ,com vários repetentes: Espanha faliu 12 vezes, Portugal 7 vezes, França 4 vezes, Alemanha 2 vezes: consequência das 2 Grandes Guerras.
A historia tem muito a nos ensinar, basta que nos esforcemos para a aprender.
Fontes: Courrier Internacional; Wikipédia;
Sabem quem sou,
1 comentário:
Ainda não consegui acabar de ler...lol
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